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Clélia Fagundes
RESTOS
De repente, do riso baixo, restou apenas uma gargalhada estéril
Que se perde surda num quarto fechado...
De repente, do canto doce, restou apenas um grito que ecoa...coa.......
De repente, do olhar meigo, restou apenas uma sombra morta que reflete o
nada...
De repente, da boca suave, restou apenas um lábio que não profere nada de
amor...
De repente, do coração palpitante, restou apenas um pedaço de mágoa e dor...
De repente, do passo lento, restou apenas um andar angustiante
de que não sabe para onde ir...
De repente, da alegria vivida, restou apenas uma tristeza incontida...
De repente, da voz melodiosa, restou apenas um silêncio mudo...
De repente, a luz da minha frente sumiu e restou apenas a escuridão
entre quatro paredes...
De repente, depois do amor, restou apenas a matéria estendida...
De repente, do dia fez-se noite, da noite fez-se dia, rápido, irrevogável
De repente, sem nada dizer você partiu...
Levou tudo de mim
De repente, tudo se transformou
E não restou apenas senão o nada daquilo tudo...
Do riso...
Do canto...
Do amor...
De nós..

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